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Sou Mais Eu...

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19.01.17

Ritanhês: o fazer sexo...

soumaiseu

Andei na net à procura de informação. Encontrei muita coisa... muito pouco útil para aquilo que eu queria. Pensei cá para comigo "Tu consegues, que raio! Vai correr bem!" e abordei a questão quando vinhamos da escola aproveitando o facto da minha filha ter levado um raspanete por causa de brincadeiras relacionadas com a coisa em si...

- Rita, quero falar contigo.

- Sim Mamã.

- O que sabes sobre fazer sexo? Sabes o que é?

- Não muito bem... os meus colegas dizem que é fazer assim... (e começa a oscilar a anca para a frente e para trás no meio da rua)

- Ritinha, pára de fazer isso. Esses gestos não são bonitos, não deves fazê-los, muito menos no meio da rua....

- Está bem....

- Fazer sexo é uma coisa que os adultos fazem. As crianças não o fazem, só quando se tornam adultas, e se alguma criança o fizer, seja com quem for não é normal nem deve de acontecer, e devem logo dizer aos pais, ouviste? Quando cresceres e te tornares uma adulta também o farás, a seu tempo saberás mais pormenores sobre isso. Até lá basta que saibas que fazer sexo é um comportamento típico dos adultos, acontece em privado, e por isso crianças da tua idade não devem fazer brincadeiras com esse assunto. É uma forma de namorar mas diferente...

- É dar beijinhos?

- Sim. Mas não beijinhos como os que a mãe e o pai te dão...

- Beijinhos na boca?

- Sim, beijinhos na boca.

- Que nojo.... (E já com ar maroto) E tiram a roupa? A Inês B. diz que se tira a roupa para fazer sexo...

- (Oh Meus Deus! Isto está a começar a descarrilar!) Sim Ritinha! Por vezes tira-se a roupa...

- Quer dizer que às vezes não se tira?

- (Isto vai de mal a pior) Pois....

- Ugh! Vocês adultos são muito estranhos!  

E foi assim a nossa primeira conversa séria sobre sexo... aos nove anos! 

06.07.15

Hoje falo de Ranchos

soumaiseu

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(Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa de Concelho de Cinfães, foto retirada do facebook)

 

Para todos aqueles que nos apontam o dedo porque andamos num rancho, porque somos "pacóvios", provincianos e por aí fora, ora fiquem a saber que:

- Fazemos ensaios e actuações sem qualquer tipo de aquecimento prévio e isso conduz-nos muitas vezes a todo o tipo de mazelas físicas. E quando nos magoamos somos nós que pagamos, não há seguros nem nada disso. Em cinco anos de rancho já fiz uma luxação na rótula, uma ruptura muscular no gémeo e uma entrose grave com rupturas parciais de ligamentos. E ainda assim continuo nisto.

- Se pensam que o esforço é mínimo enganam-se. Os ensaios demoram cerca de 2 horas, sempre aos saltos com muitas repetições com vista a atingir a perfeição. Experimentem por exemplo estar com os braços levantados durante tempo que baste para começar a doer e ter de os manter lá em cima dê por onde der.

- Intervalos a meio do ensaio? Muito raramente... E ensaiamos sempre, quer chova, troveje ou faça sol, com muito frio ou calor extremo, a grande maioria de nós não falha!

- E as actuações? Nem sempre em Lisboa por vezes obrigam-nos a deslocarmo-nos, e nem sempre as autarquias fornecem o transporte. Depois de darmos a nossa palavra vamos nos nossos carros, damos boleia aos que de nós não tem transportes mas vamos.

- Por vezes esperam-nos palcos que ofendem o próprio nome, feitos de tábuas lascadas, painéis soltos e cravejados de pregos ou agrafos. Outras vezes esquecem-se de colocar o palco à sombra ou simplesmente devido à tipologia do terreno isso não é possível. E por vezes não temos palco, tão simples como isto, e dançamos no chão, em cimento grosso, alcatrão areado ou em cima da calçada. Os que dançam descalços ficam com os pés queimados, com bolhas de água, com a pele gasta e descamada pela fricção. Pedicure? Não precisamos... fazêmo-la à nossa maneira.

- E os trajes? Usamos sete camadas como o lobo, saiotes de flanela por cima dos de linho, saias com pano que daria para fazer pelo menos umas três mais travadas e ainda assim rodadas, meias de lã, coletes, chapéus, lenços na cabeça...

- E quando o sistema de som não vale nada? Estraga por completo uma actuação... 

Isto tudo para vos dizer que fazemos isto por "amor à camisola". No nosso rancho não se ganha dinheiro com as actuações, actuamos a troco de um lanche, em condições que não são nem de perto as melhores. Mesmo assim continuamos, persistimos e insistimos em mostrar aos que nos quiserem ver um pouco do que se fazia por terras Cinfanenses. Porque "O Passado é história, o futuro um mistério e o presente uma dádiva" (Provérbio Chinês).

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