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Sou Mais Eu...

Sou Mais Eu...

15.04.21

Noites...

soumaiseu

25161953080406.jpg(Imagem retirada daqui)

Acordo. Sinto o corpo húmido pelo calor da cama. A nuca molhada, o peito encharcado. Maldita menopausa. No relógio quase seis. Bolas! Podia ter acordado daqui a pelo menos mais uma hora... Apetece-me um banho mas fico um pouco mais na cama. A roupa enrolada entre nós, o pijama enrolado até ao pescoço a mostrar uma barriga grávida de excessos e os pés de fora. A bexiga acorda. Vou à casa de banho com as pernas pesadas e os joelhos a ranger de dor e no regresso passo pela janela mais próxima e olho a rua. Gosto de madrugadas. Acho-as frescas e sedutoras. Gosto da sua quietude agitada por movimentos madrugadores. Da luz que gradualmente nos fere mais. Tenho calor. Abro a janela. O ar ainda frio pela noite arrepia-me a pele e um vento leve refresca todo o meu sentir. Fecho os olhos num deleite só meu. Há saltos altos no passeio e ruídos de motores na estrada. E pardais que cantam alegremente. Sinto frio. Volto para a cama. Ao meu lado, na mais imperfeita posição para dormir dormes um sono profundo. Sonharás? O edredon sabe-me bem, enrolo-me nele e agarro-me à almofada. E descanso. Ainda tenho mais uma hora de sono... Só espero que não ressones.

13.04.21

Papa-livros...

soumaiseu

livros.jpg

(Imagem retirada daqui)

Todas as desculpas me servem para ler. Leio romances, policiais, ficção, livros meus, livros que me emprestam, livros que me dão, que me oferecem, em papel, em e-book, leio ou releio os livros de leitura obrigatória que a Rita tem de ler para a escola... No período passado foi o Alma de Manuel Alegre. Já o tinha lido há muito tempo e recordava-me vagamente de ter gostado. Ora fazendo parte da lista de obras do 8ª ano e tendo já o livro cá em casa sugeri à Rita que o lesse. Quando o li novamente para a ajudar a elaborar o trabalho de português fiquei a pensar se teria sido a melhor escolha: o livro é pródigo em palavrões e algumas cenas eventualmente "menos recomendadas" para a idade dela. Quando perguntei à Rita se tinha gostado a resposta foi firme "Sim, é giro!". Pois claro que é giro! E instrutivo também. Para além de que é um livro interessante sobre a infância do autor e tudo que o transformou na pessoa que é hoje.

Este período vamos ler outro Alma, desta vez Alma e os Mistérios da Vida de Luísa Castel-Branco. Lembro-me de ter gostado muito deste livro e estou a relê-lo com o mesmo entusiasmo. Quanto à Rita, depois do outro Alma este não deve ser pior... digo eu! Estou curiosa para saber se ela vai gostar tanto desta "Alma" quanto eu gosto! Um livro fantástico que nos faz apegar às personagens e ao tempo delas. Este é o único livro de Luísa Castel-Branco que li mas sempre que lhe pego fico com vontade de ler mais. Acho que vai ser uma das  minhas sugestôes para o dia da mãe... 

05.03.21

Olha a lata...

soumaiseu

IMG_20210305_095536.jpg

(Foto minha)

Levanta-se uma pessoa às sete da manhã, depois de uma noite mal dormida, cheia de sono, vai para a cozinha preparar o pequeno-almoço da petiz que tem aulas às oito, aproveita e come também para ver se os olhos se abrem mais, volta ao quarto, percebe que nem ela nem a metade se lembraram de puxar a colcha para cima, e entretanto a "Bicheza real" cá de casa aproveitou para fazer uma "party" em cima do cobertor... Apanhei uma prevaricadora! E depois ainda se põe a olhar para nós assim com esta carinha de santa... É preciso ter lata! Tenho as marcas das patinhas na cama como prova! Terroristas! 

26.02.21

Mãe sofre!

soumaiseu

sonhar-aborrecimento.jpg

(Imagem retirada daqui)

Vem uma pessoa ao blog decidida a escrever algo. A inspiração já é pouca mas há sempre a esperança de que alguma ideia nos surja depois de espreitar os vossos cantinhos, mas é difícil surgir qualquer lampejo que seja quando temos uma miúda de 20 em 20 segundos a chamar a tua atenção:
- Mãe, olha este "meme"... 
- Mãe, olha este tão giro...
- Mãe, já te contei daquele "meme" que...
- Oh mãe, oh mãe! Tens de ver este. É fabuloso!
- Olha mãe tão giro, é um gatinho.....
- E este mãe, só mais este... olha tão fofo!
- Mãe, olha o que a S. me mandou....
- Mãe, olha o que eu lhe vou mandar....
- Mãe, olha o vídeo que eu fiz com fotos minhas e da S....
BAAAAAAHHHHH! Credo miúda! Gastas-me o nome! Eu desisto... Ou melhor, vou-me vingar, vou dizer mal de ti no blog! Que chata, pá! 

Feito! 

16.02.21

Sem Carnaval...

soumaiseu

Matrafona.png(Imagem retirada daqui)

Há muitos anos atrás a minha amiga Isabel desafiou-nos para irmos ver um Enterro do Carnaval. Reticente lá fui, sem saber que nascia nesse dia uma paixão por estes "carnavais" que todos os anos repito a gosto. E sabem do que gosto mais? Das Matrafonas. Pronto, está bem, tudo o resto também tem piada, desde os bebés vestidos a rigor aos restantes mais ou menos maliciosamente enfeitados, mas do que eu gosto mesmo é das tradicionais Matrafonas!  

(Se vos interessar mais informação sobre Matrafonas aqui)

 

09.02.21

O Amor...

soumaiseu

antoine_de_saint_do_primeiro_amor_gosta_se_mais_do(Imagem retirada daqui)

Em Outubro casou-se a filha mais nova dos padrinhos do meu marido. Quando perguntei ao pai qual era a sensação de casar a miúda lá de casa respondeu-me simplesmente "Faz tudo parte de um percurso que é normal e natural, é mais um passo na mesma direcção, que é suposto e que se espera que aconteça, faz parte da vida, é assim..." Palavras sábias de um homem calado que me ficaram na mente. Eu, mãe galinha, coruja, ave de rapina, leoa, me confesso. Receio o momento em que terei de passar a dividir o afecto da a minha filha com outro alguém e isso incomoda-me bastante porque não sei como vou reagir e não quero de forma alguma reagir de forma incorrecta. A reter: é tudo "... normal e natural... ". Nota mental registada. Tudo normal e natural...

08.02.21

Olhares

soumaiseu

Cuidar.jpg.crdownload(Imagem retirada daqui)

Hoje fui com a minha mãe a um dos Hospitais aqui da zona de Lisboa e enquanto eu andava com ela de um lado para o outro não pude deixar de reparar num casal que também por ali andava na mesma lide, talvez da idade dos meus pais. Percebi desde logo que a mente dele estava afectada. O senhor trazia consigo dois sacos de plástico que supostamente continham "papéis importantes que podiam ser precisos". Disse a um dos enfermeiros que trazia ele os sacos porque "ela nunca gostou de andar com sacos". "Toda a minha vida carreguei sacos", defendeu-se ela. E mais tarde ouvi-o comentar para o lado: "Cinquenta e um anos de suplício a aturar isto! Esta mulher levou-me a minha cabeça e levou-me os meus olhos..." Não pude deixar de sentir pena da senhora. As doenças mentais são desgastantes. Deduzo que esta senhora trate do marido o melhor que sabe e pode. A idade  também nela já ia avançada e acredito que não seja fácil lidar com o aparente mau feitio do senhor. A tristeza que vi naquele rosto. A pressa em chegar ao aconchego de casa que lhe senti no andar. A autoridade com que lhe agarrava a manga do casaco por ele se recusar a dar-lhe a mão. Percebi-lhe no respirar uma urgência que me é tão familiar e entendi-a  também como minha, porque só quem lida com estas doenças consegue entender esta revolta e ler estes sinais. Cuidar é tudo menos fácil. 

01.02.21

Pensamentos...

soumaiseu

salmos-139-1-2.jpg

(Imagem retirada daqui)

Sou mãe. Primeiramente, acima de tudo, principalmente e antes demais, sou mãe. Quando penso no Covid e na quantidade de vidas que se perdem, nas  vivências que ficam interrompidas, mães que perdem os filhos, filhos que perdem os pais, palavras que ficam por dizer, abraços e beijos por dar... Tenho ânsia de acelerar a lista de coisas que ainda quero fazer, dividir-me em milhentas formas eficientes porque na verdade não estou preparada para partir. Estará alguém? Provavelmente não. O Covid surge na nossa mente como uma força premente que se insinua nos nossos pensamentos e traz consigo o medo, o receio. Não. Não devíamos partir assim, aos magotes, como um bando de pássaros assustados. Ser forçado a abandonar a Pátria e ser enviado para o estrangeiro. Morrer sozinho. Longe. Entre estranhos que muito provavelmente nem a nossa língua falam. E mesmo que se morra cá, esperar oito dias para ser enterrado. Ser cremado quer se queira ou não. Sem família. Sem amigos. Sem ninguém. Não se morre dignamente com Covid. Perdemos mais do que a saúde, perdemos a dignidade. Apenas nos resta o maldito Covid. 

29.01.21

Chegou aos meus...

soumaiseu

marisaczl-1557362052772-cathopic.jpg(Imagem retirada daqui)

Ontem alguém dizia na televisão que enquanto os mortos não ganhassem um nome, enquanto não fossem os nossos conhecidos e familiares a sofrer os efeitos da pandemia, iríamos continuar na negação do vírus. E ontem os números dos doentes internados ganharam mais um nome:  T, a minha prima, madrinha da minha filha, está internada no Hospital de Castelo Branco. A dificuldade em respirar e o cansaço constante ditou que ficasse internada para tentarem perceber o que é que se passa. Em casa, sozinho, também positivo ainda que aparentemente quase sem sintomas, fica o meu afilhado de 16 anos. Vale-lhe o apoio de uma vizinha e da mãe de uma amiga, porque os avós maternos também estão positivos, o pai enfim, e a restante família está longe. Não sei o que será pior, Covid ou solidão...

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