Odete.
Chama-se assim e é uma das minhas vizinhas aqui do prédio. É uma senhora com filhos da minha idade, que vive com o marido uma vida "solitária" uma vez que deste não recebe qualquer tipo de amor ou carinho. Não se entende com a filha mas adora o filho, vive para os netos e para o gato que dorme com ela na cama. É uma senhora que sai à rua com roupa simples e a cheirar a detergente em pó. Tem "posses" mas não ostenta o que tem porque a sua simplicidade é o seu melhor atributo. Desabafa comigo quando me encontra como se toda a vida tivéssemos sido amigas. De longe a longe, quando a vida se lhe complica muito vem cá a casa, ocupa o meu sofá, e desabafa o seu sofrimento por entre as festas que vai dando às minhas gatas, que a adoram! E eu também gosto dela! Gosto desta Dona Odete. Podia ser minha mãe, minha tia... Gosto do seu sorriso sofrido e do modo como encolhe os seus ombros quando lhe pergunto como vão as coisas. Há quem lhe chame chata porque fala demais, mas para mim ela é só uma senhora querida, carente, que precisa de um pouco de atenção e paciência enquanto nos conta a sua história. E às vezes é só isto que precisamos: que nos oiçam. O tempo que for preciso. Sem pressas. Simplesmente isto!
