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Sou Mais Eu...

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06.07.15

Hoje falo de Ranchos

soumaiseu

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(Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa de Concelho de Cinfães, foto retirada do facebook)

 

Para todos aqueles que nos apontam o dedo porque andamos num rancho, porque somos "pacóvios", provincianos e por aí fora, ora fiquem a saber que:

- Fazemos ensaios e actuações sem qualquer tipo de aquecimento prévio e isso conduz-nos muitas vezes a todo o tipo de mazelas físicas. E quando nos magoamos somos nós que pagamos, não há seguros nem nada disso. Em cinco anos de rancho já fiz uma luxação na rótula, uma ruptura muscular no gémeo e uma entrose grave com rupturas parciais de ligamentos. E ainda assim continuo nisto.

- Se pensam que o esforço é mínimo enganam-se. Os ensaios demoram cerca de 2 horas, sempre aos saltos com muitas repetições com vista a atingir a perfeição. Experimentem por exemplo estar com os braços levantados durante tempo que baste para começar a doer e ter de os manter lá em cima dê por onde der.

- Intervalos a meio do ensaio? Muito raramente... E ensaiamos sempre, quer chova, troveje ou faça sol, com muito frio ou calor extremo, a grande maioria de nós não falha!

- E as actuações? Nem sempre em Lisboa por vezes obrigam-nos a deslocarmo-nos, e nem sempre as autarquias fornecem o transporte. Depois de darmos a nossa palavra vamos nos nossos carros, damos boleia aos que de nós não tem transportes mas vamos.

- Por vezes esperam-nos palcos que ofendem o próprio nome, feitos de tábuas lascadas, painéis soltos e cravejados de pregos ou agrafos. Outras vezes esquecem-se de colocar o palco à sombra ou simplesmente devido à tipologia do terreno isso não é possível. E por vezes não temos palco, tão simples como isto, e dançamos no chão, em cimento grosso, alcatrão areado ou em cima da calçada. Os que dançam descalços ficam com os pés queimados, com bolhas de água, com a pele gasta e descamada pela fricção. Pedicure? Não precisamos... fazêmo-la à nossa maneira.

- E os trajes? Usamos sete camadas como o lobo, saiotes de flanela por cima dos de linho, saias com pano que daria para fazer pelo menos umas três mais travadas e ainda assim rodadas, meias de lã, coletes, chapéus, lenços na cabeça...

- E quando o sistema de som não vale nada? Estraga por completo uma actuação... 

Isto tudo para vos dizer que fazemos isto por "amor à camisola". No nosso rancho não se ganha dinheiro com as actuações, actuamos a troco de um lanche, em condições que não são nem de perto as melhores. Mesmo assim continuamos, persistimos e insistimos em mostrar aos que nos quiserem ver um pouco do que se fazia por terras Cinfanenses. Porque "O Passado é história, o futuro um mistério e o presente uma dádiva" (Provérbio Chinês).

3 comentários

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    soumaiseu 12.07.2015

    Bom, aquecemos com 1/2 valsas antes... mas o aquecimento não é suficiente... e o pior nem são os ensaios porque neles ainda vamos para´ndo, o pior são mesmos as actuações, temos de esperar a nossa vez trajados e não dá jeito nenhum aquecer com aquelas roupas todas em cima, não é pratico e corremos o risco de estragarmos as farpelas que valem muito... Quanto ao apoio à parte folclórica da nossa cultura, muito se diz pouco se faz... é uma pena! Olhamos demasiado para algumas coisas e muito pouco para outras... è dificil mudar mentalidades quando na maioria das vezes o preconceito vem logo com as camadas mais jovens... Mas aos poucos havemos de lá chegar. No nosso rancho temos miúdos de 6, 8, 10, 11, 15, 17 anos... cada um mais viciado e orgulhoso do que fazemos do que o outro. Estes são o nosso futuro...
  • Sem imagem de perfil

    Ana 12.07.2015

    Acho que todo o património português está a ser valorizado aos poucos, a paisagem, o canto alentejano. A música folclórica e os ranchos também seram abrangidos mais cedo ou mais tarde.
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