Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

O Explorador...

Hoje levanta-se da cama, põe o cinto das calças por cima da camisa do pijama com as fronhas de fora e espera que eu saia da casa de banho junto à porta de casa.

- Então? Está aí de pé? 

- Estou à espera que me abras a porta que quero ir trabalhar...

- Sr Norberto, que idade é que você tem? Você já não trabalha...

- A idade não quer dizer nada para o trabalho...

- Pois não! Mas você deixou de trabalhar há muito tempo. Já trabalhou muito mas agora já não trabalha...

- Já trabalhei muito já!

- Então deixe lá o trabalho e venha mas é almoçar que o comer já está feito.

- Eles dão-me lá almoço...

- Mas isso é a quem lá trabalha... você reformou-se por causa das suas ancas...

- Pois foi! Fui operado fui... às duas....

- Então venha lá comer... depois logo se vê...

E depois do almoço o amoque passou-lhe... não mais se lembrou do trabalho. 

sinto-me:
publicado por soumaiseu às 19:38

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O Explorador...

Enquanto varria a casa dei com o sogro a vestir umas calças por cima do pijama.

- Então? Veste as calças por cima do pijama?

- Não faz mal! Assim estou mais quente.

- Está bem! Já não volta para a cama?

- Não.

- Quer que lhe ligue a televisão?

- Não, não quero televisão. Primeiro vou tratar dumas coisas que tenho para tratar.

- Que coisas?

- Vou lá fora à hortaliça...

- Deixe lá a hortaliça, eu daqui nada trago-lha quando for buscar a Rita à escola...

- Não é para comprar! É para vender!

- Vender?

- Sim, quero ver se arranjo alguma coisa para vender. Se der algum deu, se não der paciência...

Pensei para comigo "pronto, lá vamos nós passear outra vez..." Entretanto lembrei-me que o sogro é viciado em noticias e pus-lhe a televisão no seu canal preferido, a SIC Notícias. Ele saí do quarto e eu insisto:

- A televisão da sala já está ligada...

- Não quero televisão. Vou dar uma volta...

Começo a stressar...

- Onde? Ó pá! Não me diga que hoje há passeio?! Olhe que está frio....

Ri-se e com ar de gozo responde-me:

- Vou dar uma volta vou.... - faz uma pausa para ver a minha reação e continua - mas vou dar uma volta mas é aqui em casa!

Olha o engraçadinho, hein? Para a próxima dou-lhe uma vassourada!

(E acabou por ficar grudado nas notícas e já não foi em "busca da hortaliça"....)

sinto-me:
publicado por soumaiseu às 10:39

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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

O Explorador...

Hoje de manhã. Tocam a campainha para entregar uma encomenda. O sogro, que passa as manhãs deitado, levanta-se. Digo-lhe que se deixe estar que eu trato do assunto. Vou à porta, recebo a encomenda e volto a trancar a porta (desde a última vez que o sogro fugiu de casa mantemos a porta fechada à chave e as chaves no bolso). Cruzo-me com ele, está de pé no corredor. Diz-me que vai para a sala. Acendo-lhe a televisão e ligo o aquecedor. Regresso aos meus afazeres. Um minuto depois oiço alguém a mexer constantemente na fechadura à bruta e a abanar a porta toda. É ele.

- Então? O que está a fazer? Para lá com isso que ainda me estraga a fechadura....

- Quero abrir esta porta.

- Para quê? A porta está fechada. 

- Mas quero abri-la. Ouvi chegar um carro e quero ir ver quem é...

- Qual carro? Vá à janela da sala que dá para a rua. Vê de lá. A porta não dá para ver nada... (vivemos num primeiro andar sem clarabóia ou janela, só indo mesmo à porta do prédio é que se vê a rua em si. A alternativa é a varanda.)

- (Aos gritos comigo já claramente irritado) Abre-me a porta. Já te disse que quero ir lá fora. Tens a porta fechada porquê? Do que é que tens medo? Ninguém te faz mal...

Contrariada abro-lhe a porta. Ele começa a descer as escadas.

- Vai outra vez de pijama para a rua?

- E se fôr? Ninguém me dá outro. 

Saiu. Ficou na rua em frente à porta do prédio a ver passar os carros. Eu cá de cima da varanda guardei-o. Até que se cansou e veio para cima. 

- Então? Está calor não está? Ainda apanha alguma carraspana que eu depois quero ver como é!

- Qual carraspana! Eu não tenho frio. Nasci no meio do frio não tenho medo dele...

- Até um dia... - disse-lhe eu!

Voltei a fechar a porta à chave perante o olhar critico dele. Ele não disse mais nada e eu também não... 

Oh vida! 

sinto-me:
publicado por soumaiseu às 12:03

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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

O Explorador foge de casa...

Onze e meia da manhã. O sogro, que costuma passar as manhãs a dormir, depois de uma boa ressonadela acorda em delírio, sai da cama, apanha-me distraída na cozinha e antes que eu me aperceba já ele está a sair de casa. Apercebo-me da porta a abrir e de umas chaves a tilintar: tenta fechar a nossa porta de casa com as chaves da casa dele. 

- Essas chaves não são daí... Que está a fazer de porta aberta?

- Vou à Missa. 

- A esta hora? A Missa foi de manhã às 9.30h. Agora não há Missa.

- Não há o quê?! - responde com agressividade - Combinei com umas pessoas. 

- Combinou com quem?

- Com umas pessoas e agora tenho de ir. Compromissos são compromissos.

- Mas vai onde? Não vê que está de pijama?

- Bah, deixa-me ir...

E sai pelas escadas abaixo. Só tive tempo de vestir um casaco e calçar as botas. À porta do prédio dois vizinhos dizem-me qual a direção que ele tomou. Sigo-o de longe porque sei que não saberá voltar para casa sozinho. Entra na Igreja. Ao sair dá de caras comigo.

- Afinal a Missa já foi...

- Eu não lhe disse? Porque é que você não acredita em mim?

- Mas ia haver aqui qualquer coisa, se não é aqui é lá em cima na Igreja da Portela.

- E vai a pé para a Portela? De pijama?

- Vai-te embora que eu lá irei ter...

E continua a deambular. Segue a rua sempre em frente, mas quando a estrada acaba e é forçoso virar à direita ou à esquerda ele bloqueia tal como eu esperava, e fica completamente perdido sem conseguir avançar mais um passo que seja. Entretanto falo com o filho que lhe liga para o telemóvel. Aproximo-me.

- Então? Já podemos ir para casa?

- Vamos então. Também estou à rasca para mijar...

Lá veio atrás de mim. Não sem antes tentar fazer o caminho para a sua antiga casa.

- Sr. Norberto, você já não está nessa casa, entregou-a, lembra-se? Agora está connosco. Venha comigo que eu sei o caminho. 

E eu, que esta noite acordei às 6.30 da manhã e já não voltei a dormir graças ao sogro (encontramo-lo mais uma vez desperto, sabe-se lá à quanto tempo, sentado na cozinha, recusando-se teimosamente em ir para a cama), estou irritadíssima... Estou cansada e com os nervos em franja! Era só o que me faltava agora: um sogro que para além de chanfrado também gosta de vaguear.... Que nóia!

publicado por soumaiseu às 12:47

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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017

O Explorador....

IMG_20170110_103850.jpg

(Foto minha: Boneco antigo, que era meu, passou para a minha filha e que temos a decorar a casa-de-banho)

Segundo o marido (porque eu ferrei no sono e não dei por nada), o sogro hoje aterrorizou a existência deste boneco. Às duas da manhã agarrou no desgraçado e quis fazer um tampão com ele. Sentou-se na cozinha com o dito na mão enquanto estudava as suas hipóteses.

- Que tampão? 

- Um tampão. Já vais ver!

- Mas isso é da Rita -  dizia-lhe o filho.

- Mas vou fazer um tampão...

O filho não se atreveu a sair de ao pé dele com medo que ele resolvesse esquartejar o boneco. Até que se cansou e o largou dizendo que afinal não dava...

Nem os bonecos da Rita escapam ao terror do Indiana Jones cá de casa... Oh, vida! 

publicado por soumaiseu às 12:02

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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Depois do...

... meu último post pensei em não fazer nada. Muito sinceramente. Mas não seria correto da minha parte para com vocês, que mesmo não me conhecendo de lado nenhum me estendem a mão e me dão o vosso carinho. E é por isso que aqui estou, não para "rebentar" convosco mas para me explicar. Há momentos da nossa vida em que questionamos tudo. E quanto mais questionamos menos resposta encontramos e mais escuro o túnel se torna. Normalmente é aí que chego ao meu ponto de rotura e que me sinto só. No entanto considero que preciso dessa "solidão" para poder dar a volta para trás. Porque há sempre alguém a quem nos podemos agarrar e no meu caso é a minha filha. A minha vida nos últimos meses não é fácil. Queixei-me tanto por ter os meus pais cá em casa um ano e meio que fui castigada: pela porta entrou-me uma situação bem pior, bem mais difícil de lidar e gerir. Onde tudo me irrita e a demência não me parece ser motivo mais que suficiente para as coisas que vejo fazer à minha volta. Sendo a arrogância e a prepotência o defeito do ser humano que mais me custa suportar, o sogro, que reúne com mestria estes dois atributos, está-se a tornar aos meus olhos num ser muito pouco agradável e difícil de suportar. Não agradece nada do que fazemos por ele, comporta-se como se estive-se "em casa", na sua casa. Está ordinário. Os palavrões não me ofendem a beleza, mas quando são usados constantemente começam a irritar-me, até porque tenho em casa uma criança que não gosto de expor constantemente a este tipo de linguarejar. E a condescendência do filho... isso então ! Quanto me irrita meu Deus! Acata impávido e sereno quase tudo o que o pai diz, faz e quer. E isso tira-me do sério. Não pretendo que ande sempre a discutir com ele, mas considero que regras são fundamentais. Uma reprimenda na hora dos palavrões não lhe faz grande mossa, provavelmente não tem sequer qualquer efeito mas pelo menos não pactuamos com o seu comportamento. É como ter uma erva daninha num vaso. Pode até ter uma bela folhagem, mas se não a podarmos quando dermos pela conta ela já tomou conta do vaso inteiro enquanto abafa calmamente todas as outras plantas. É isto. Só isto...

sinto-me: A processar...
publicado por soumaiseu às 12:51

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

O Explorador...

Ontem o filho veio mais cedo para levar o pai ao barbeiro e esta noite, às 5 da manhã o sogro está acordado. Já tem a cama feita e acorda-nos com o "toc-toc" ritmado da sua bengala no chão de madeira.

- Que estás a fazer acordado? - Pergunta o filho.

- Estou à espera para ir cortar o cabelo. 

- Mas cortamos o cabelo ontem, não te lembras?

- Mas não me cortaram os pelos do nariz e agora quero ir lá para mos cortarem...

Novo Round feito por mim:

- Então? Está acordado?

- Estou a fazer contas...

- A esta hora? As contas fazem-se de dia, não é durante a noite... Sabe que horas são? Veja lá no relógio as horas que são. (Normalmente uso esta técnica porque o sogro tem tendência a não acreditar ou desconfiar do que lhe dizemos, contudo ele sabe ver as horas, e quando lhe peço que o faça o peso da realidade parece chama-lo mais à razão do que qualquer coisa que nós possamos dizer.)

- São 5 e 10...

- Então? Está sentado na cama, ao frio, não pode ligar a televisão que não são horas para isso...

- Pois não, eu também não a liguei por causa disso...

- Então deite-se, mesmo que não tenha sono pelo menos está quentinho... ainda se constipa que as noites vão frias e o seu quarto é um gelo. 

Ficou parado a olhar para mim e a digerir a conversa. Volto para a cama e é a vez do filho lá ir. Lá o consegue deitar. 

- O meu pai já está deitado...

- Ele já! Mas agora sou eu que não tenho sono... 

 

sinto-me: Cansada.....
publicado por soumaiseu às 11:47

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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

O Explorador...

Este foi o primeiro Natal em que eu discuti com alguém. Com o sogro. A noite anterior à noite de Natal passei-a a vomitar e por consequência passei o dia 24 mal disposta, cheia de dores no estômago, cólicas intestinais, frio, cansaço. Os petiscos  que fiz cá para casa fiz a custo e com sacrifício porque só me apetecia era estar na cama. E é então que na noite de Natal, depois de já termos aberto as prendas, às 5.30 da manhã, o sogro tem um achaque. Está a pé e quer "ir ao funeral do homem que morreu". Explicamos-lhe que não há nenhum funeral, ninguém morreu, e que àquelas horas não se vai a funerais. Insiste. Tentamos mete-lo na cama mas não conseguimos. O filho deita-se deixando-o na sala, sentado na sua cadeira, desperto. Quando dou por ele ressonava ao meu lado. Aquilo irritou-me! Levanto-me e tento mais uma vez dar a volta à situação, irritada como estou não consigo falar-lhe com calma (Mea Culpa), o tom de voz sai-me mais autoritário do que provavelmente seria necessário. E é então que o sogro me grita e me diz "Quem manda aqui sou eu, car....lho! A casa é minha!" O sangue ferveu-me nas veias e as coisas descambaram. Num acesso de raiva descontrolado não me calei, perante a impavidez e serenidade do filho disse-lhe umas quantas verdades, até que percebi que não valia a pena discutir com um homem louco. Provavelmente nesta altura muitos de vós apontam-me o dedo: "Porque raio fizeste tu isso? O que é que te deu? Não sabes que não vale a pena? Que não adiantas de nada?, O homem está louco, não sabe o que diz! "Sei isso tudo! Mas também sei que a situação está cada vez mais complicada. E sei que o meu escape é responder à letra. Sei que por muito que não adiante jamais ficarei calada porque é assim que eu me defendo e me protejo, porque esta é a minha forma de reagir. Mesmo sabendo que nada vou conseguir. Mesmo sabendo que o outro tem a "desculpa" da doença para tudo o que faz, e eu não. Por muito que a doença o justifique não podemos ser constantemente permissivos. Não me calei porque tenho uma filha para criar e não vai ser um sogro mau, venenoso e arrogante que me vai fazer prostar. Posso dobrar, mas jamais partirei! Pela minha filha! 

sinto-me: Mal...
publicado por soumaiseu às 11:56

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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2016

O Explorador...

Cheguei à conclusão que tomar conta do sogro tem sido uma brincadeira de bebes desde que ele veio cá para casa. Nos últimos dois dias o sogro tem estado em crise. Iniciou todo um discurso desconexo e repleto de palavrões. Está desnorteado, agressivo, ameaça as gatas que lhe dá uma bengalada que as "f..de!". Aponta a bengala à neta e dispara um tiro. Chama-lhe galinha. Roga a morte à minha mãe. Diz-me claramente que a minha obrigação é lavar o que ele suja. Há duas noites atrás não dormiu. Combateu o sono tal como uma criança que se recusa a fechar os olhos, falando constantemente, dizendo palavrões, ameaçando tudo e todos, batendo sistematicamente com a bengala no chão num movimento rítmico extremamente irritante, mexendo constantemente os pés enquanto está sentado onde calha porque andar ou manter-se em pé é quase impossível... 

- Que estás a fazer? Para quieto com os pés! - diz-lhe o filho.

- Eu estou a andar, não vês? Estou a andar à 10 minutos e não há maneira de chegar ao meu destino...

Cinco da manhã. O filho não dorme porque o sogro se recusa a ir para a cama. Não tem sono e ainda é cedo, diz ele. Encontro um marido desnorteado. Já tentou de tudo. Nada o faz deitar-se. Sugiro-lhe que ligue para a Saúde 24. Durante a chamada descobrimos que tem os diabetes a 251. Acaba por ir para o hospital com o INEM. São feitas as análises ao sangue e à urina de rotina, nada se deteta. É visto por um neurologista que tem acesso ao processo e que imprime o relatório dos testes neuropsicológicos já realizados para nos dar essa informação: a psicóloga conclui o relatório com o diagnóstico de Demência de Grau II. Continuamos à espera que o chamem para internamento a fim de realizar as punções lombares que irão concluir definitivamente o diagnóstico. Entretanto vem para casa com medicação para dormir e uns pensos para estabilizar a doença. 

Ontem. Durante o dia continua desnorteado e incoerente.  À noite, já sob o efeito do comprimido para dormir o sogro continua a combater o sono.

- Ainda é cedo. 

- Vai para a cama. - diz-lhe o filho.

- Hei-de ir, mas ainda é cedo...

Vai à casa de banho urinar. Mal se mantém de pé. Acaba por fazer na fralda não tenho consciência disso. Com as calças nos tornozelos quase se mata ao desequilibrar-se. Ao segurar-se para não cair descola-me a pedra mármore do lavatório da parede. Perdemos ambos as estribeiras com ele. O filho passa-se, grita-lhe. Manda-o para a cama imediatamente de uma forma firme e assertiva. A caminho do quarto ainda tenta ir "ver se está tudo bem na sala". O filho não deixa e impõe mais uma vez a sua vontade. Conseguimos finalmente po-lo na cama. Meia hora depois já ressonava.

Até agora tem sido tudo muito fácil. Pressinto que agora sim, agora as coisas vão começar a complicar. No espaço de cerca de um ano o sogro atingiu o segundo grau de demência. Pergunto-me quanto tempo levará a atingir a última fase... Nem quero pensar naquilo que nos espera. Difícil! Muito difícil! Avizinham-se tempos muito complicados... Oh Deus! 

sinto-me: Em baixo....
publicado por soumaiseu às 11:43

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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016

Coisas minhas...

Ter uma pessoa demente em casa não é fácil, ter o sogro em casa com esse problema ainda menos se tivermos em conta que este sogro nunca foi "acessível". Há para trás muitos anos de ressentimento que não vou expor aqui porque francamente são coisas que me envergonham. Envergonho-me de o ver ter certos comportamentos, certas atitudes, de o ouvir dizer certas coisas, fazer certas afirmações. Digo-vos apenas que este senhor me fez passar aquela que foi a maior vergonha da minha vida, e olhem que eu não sou pessoa de fragilidades, mas o humilhar outro ser humano publicamente é algo que me incomoda, e não só eu fui a visada, o próprio filho também foi tido "em consideração". Águas passadas não movem moinhos. O que é certo é que neste momento o sogro precisa de mim, e não é fácil. Tenho de arrumar num canto escuro todo o meu ressentimento porque uma coisa é lidar com ele pontualmente outra coisa é tê-lo 24h sobre 24h na minha casa. Ainda assim, com a Graça de Deus, vou conseguindo, mas levo com os cheliques de todos os que me rodeiam porque não percebem a doença, o porquê de certos comportamentos, porque ao contrário de mim vão buscar águas passadas e fazem questão de manter essas lembranças bem vivas na cabeça deles e por consequência na minha... Há dias em que eu me sinto no limite. Estou cansada de ser forte, estou cansada de carregar o mundo às costas, estou cansada de levar com os fanicos dos outros e não me poder dar ao luxo de ter os meus próprios fanicos, de não poder simplesmente baixar os braços e permitir-se ser frágil... Pergunto-me qual é o dia em que vou estoirar. Todos nós aguentamos até um certo limite, qual será o meu?

sinto-me: Desanimada...
publicado por soumaiseu às 10:48

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