Domingo, 3 de Junho de 2012
(Fonte da Imagem: Eu mesma, foto tirada no Verão de 2011)
.... PIQUENIQUES ...
Não passo sem fazer uns quantos... Adoro!
Receita para um piquenique de sucesso:
De manhã bem cedo pegar no carro e ir até à praia. Depois de muitos mergulhos (nunca são demais!), almoço debaixo do belo do pinheiro... Com saladas, carnes frias, rissóis, croquetes, frutas, bolos de fatia e batatas fritas! Tudo a que temos direito e bem partilhado! Não pode faltar a Manta de Ourelos, o Ponto de Cruz, um bom livro, e uma bola para dar uns toques e manter os mais novos (e não só) ocupados enquanto os mais preguiçosos passam pelas brasas! Não esquecer as formigas gulosas que nos mordem os traseiros - se não as houver, mudem de pinheiro
- as galhofas, as risotas, as piadas maliciosas... Decorar com um bom grupo de amigos e familiares!
Consumir com muita parvoeira!
NOTA: Se houver abelhas não entrem em pânico! Sirvam-lhes um pratinho da vossa melhor comida e coloquem-no a alguma distância... normalmente elas entreteiem-se por ali e não nos chateiam muito! 
sinto-me: 
Gulosa!
Sábado, 2 de Junho de 2012
Seria Azul!
Azul forte!
Azul fresco... azul translúcido como as águas dos chafarizes da minha terra!
Como o mar das praias de Lisboa em dias demasiado quentes!
Azul como o céu de verão!
Zangão numa flor em botão!
Unos...
Livres!
sinto-me: 
Colorida!
Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

O Verão trazia consigo malas e bagagens para a Beira Baixa, uma viagem que se fazia obrigatoriamente de comboio ou camioneta, uma vez que na altura não havia carro lá em casa nem ninguém que o conduzisse. A minha mãe aprontava as coisas, empilhava os cestos que tinham vindo com laranjas e diospiros na última visita e quando o dia ainda era noite acordava-me para irmos para a terra... A viagem demorava uma eternidade. Eu ansiava pelo cheiro a campo e a cabras que a minha avó tinha! Gostava dos seus beijos repenicados, da maneira como ela me chama "Sãzinha!"... Gostava do dia a dia da aldeia, mas o que eu gostava mesmo era dos dias de rega! Levantavamo-nos cedo para ir para o " Moinho", a minha avó chegava, ligava o " Pachacho", um motor de rega da "terceira idade" tão caprichoso como os anos que tinha... o ar impregnava-se com o cheiro a gasolina, e a água para a rega ia sendo sorvida lentamente, fresca e cristalina, das entranhas dos poucos charcos que o Rio Torto conseguia manter com água nos verões tórridos da Beira Baixa... Eu descalçava as sandálias e ia passear nos regos de água que a minha avó ia abrindo pacientemente com o "sacho" por entre fiadas de legumes sequiosos... Ao longe ouvia a minha avó dizer-me "Sãzinha, nã me dês cabo dos regos! Ó filha que depois a água não chega lá!..." Mas eu não queria saber! Esperava o ano todo para poder mergulhar os meus pés naqueles pequenos rios, sentir a lama por entre os dedos e as pequenas pedras frias debaixo da sola dos pés... Olhava para ela e ria-me mais satisfeita do que nunca! E a minha avó devolvia-me um sorriso escondido atrás do cabo do "sacho"!
sinto-me: Saudosa....