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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Ao meu AMOR!

                

 

Nunca falo de ti... não sei porquê, nunca calhou! Às vezes é-nos dificil falar de quem mais temos junto ao coração. Se calhar por estarmos tão próximos as palavras tornam-se dificeis e desnecessárias... Nunca te disse o quanto a minha vida seria vazia sem ti! Sem ter alguém a quem culpar por tudo e por nada... Sem sentir o teu cheiro ao meu lado na cama... Sem ouvir a tua respiração durante a noite... Sem ter alguém em quem me enroscar ao fim de semana... Então lembrei-me que te podia fazer um poema. Idéia muito triste tendo em conta o estado enferrujado da minha veia poética... Não consegui! Deixo-te um dos poemas mais lindos que já li! Sei que tu e a poesia não se entendem muito bem, mas também sei que vais fazer um esforço!

Vá lá!

Queima uns neurónios !

Para ti, meu Amor!

 

 

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

                    Florbela Espanca
sinto-me:
publicado por soumaiseu às 17:12

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4 comentários:
De poetaromasi a 19 de Novembro de 2008 às 23:42
Olá boa noite
Apesar da falta de saúde consegui, tal como prometi, ler o seu blog. Esta linda carta de amor fez-me recordar tantos factos da minha vida. Como sei que gosta de poesia deixo um poema meu dedicado à minha grande companheira.
Desejo-vos muita felicidade e continue a escrever cartas como a que escreveu e logo verá que a destinatária irá gostar da poesia que há em si. Mais uma vez obrigado
Rogério Martins Simões
PÁRA
Rogério Martins Simões

Segredaste-me tantas palavras,
Esta noite meu amor,
Quando no quarto imperava o silêncio!
E disseste tantas coisas,
Em silêncio,
Que nada ficou por dizer!

Tu sabes que eu gosto do silêncio!
De respeitar o silêncio,
Mesmo que ele incomode.

Incomodam-me
Mais os estados de “não alma”,
Que perturbam o silêncio,
Com palavras ditas de forma não calma.

Eu sei que não conheces
As “não palavras:
Que me ferem os tímpanos,
Que não acalmam!
Que me pulverizam o silêncio
Aniquilando o alento!
Que me cortam a respiração
E me deixam frustrado,
Cabisbaixo,
Adiando ou extinguindo
Para sempre a inspiração!

Que génio teriam os poetas
Se lhes parassem a respiração,
O pulsar e a pena?!

De que forma?
Com que sentido,
Teriam estas palavras,
Se as minhas palavras
Fossem desprovidas de qualquer sentido.

Sentidas foram as tuas palavras
Quando me disseste,
Sem falar,
Estas palavras:
Pára de escrever!
Porque as palavras te fazem sofrer!
Pára, vem descansar!
Para o corpo retemperar!

Mas meu amor
O meu descanso
Está nas palavras que não comando!
E se sofrer eu sofro
Escrevendo
Pior sorte seria
Não escrever chorando.

17/05/2004
De soumaiseu a 21 de Novembro de 2008 às 11:03
Olá, Rogério! Obrigada pelo comentário e pelo poema tão pessoal que amavelmente quiseste partilhar comigo. Li-o e reli-o várias vezes. È lindo! Adoro a forma como escreves, do fundo do coração, do fundo da alma... percebo a importância que a poesia tem na tua vida, é este doer com gosto que a torna tão especial... quase como um vício, não é? Gostei muito! Mais uma vez obrigada!
De Nany a 21 de Novembro de 2008 às 12:14
Gostei de um e de outro. Pronto...estou sem palavras
De Amor a 8 de Dezembro de 2008 às 09:21
Apesar de não me entender com a poesia deixo-te um poema do José Carlos Ary dos Santos que criou letras que deram origem a músicas lindíssimas, como esta que como costumo dizer "Olha!, Olha! (isto é da moçoila) a música da minha mulher".



Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram



Deixo o link para quem quiser recordar a música cantada pelo Carlos do Carmo
http://br.youtube.com/watch?v=w3WYsdHhC-8

Tens o teu ombrinho à espera para te aninhares...

Beijos do teu


Blond, James Blond

AMO-TE MUITO!!!

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